quinta-feira, 22 de maio de 2014

                                                      2- CORPOREIDADE


“O corpo é movido por intenções provenientes da mente. As intenções manifestam-se através do corpo, que interage com o mundo, que dá uma resposta para o corpo, que informa a mente através de seus órgãos sensoriais, que, analisando as respostas obtidas do ambiente, muda ou reafirma suas intenções, utilizando o corpo para novas manifestações.

“ Corporeidade é a maneira pelo qual o cérebro reconhece e utiliza o corpo como instrumento relacional para o mundo.





A corporeidade guarda três dimensões que mantêm uma relação indissociável e complexa:


  •  Fisiológicos (físico),
  •  Psicológicos (emocional afetiva) e
  • Espirituais (mental-espiritual sendo o universo físico, o universo da vida e o universo antropo-social).


É uma perspectiva inspirada na fenomenologia de Merleau-Ponty, que reconhece que "a cultura científica ocidental requer que tomemos os nossos corpos simultaneamente como estruturas físicas e como estruturas experienciais vividas – em suma, tanto como externos e como internos, biológicos e fenomenológicos". Ressalta-se ainda que o eixo fundamental que articula essas duas estruturas corporais é a corporeidade, que por sua vez assume este duplo sentido: “acompanha o corpo como uma estrutura experiencial vivida e também como o contexto ou o meio de mecanismos cognitivos”. Os autores são enfáticos quando afirmam que a corporeidade tomada nesse “duplo sentido” tem estado ausente da ciência cognitiva, quer seja na discussão filosófica quer seja na investigação prática. E mais: “tanto o desenvolvimento da investigação em ciência cognitiva como a relevância desta investigação para as preocupações humanas vividas requerem a tematização explícita deste duplo sentido da corporeidade”.

A qualidade da corporeidade depende como em todas as funções neurológicas, da qualidade e desenvolvimento das relações neuronais estabelecidas entre as áreas sensoriais e motoras do cérebro. Estas relações, a maioria estabelecida durante a primeira infância desenvolve-se através do treinamento corporal. Para ilustrar a que ponto o ser humano pode desenvolver a corporeidade, basta observar um grande dançarino de balé, um ginasta olímpico ou um campeão de judô. Nem é preciso dizer que, quanto mais cedo na vida do indivíduo as atividades forem treinadas, melhor será o desempenho.

Criando e recriando movimentos, o indivíduo interage, controla seu corpo, sua mente e aprimora suas habilidades. Tudo isso só é possível com a participação da construção do conhecimento, ampliando dessa forma a linguagem corporal.


OLIVIER, Giovanina.G.F - Um olhar sobre o esquema corporal, a imagem corporal, a consciência corporal e a corporeidade. - Tese de mestrado apresentada à Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas (área de concentração: Educação motora) - 1995

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